Amsterdã: embasbaque-se!

Nossa recepção foi dourada na cidade onde chove quase todos os dias do ano. Era a primeira viagem do meu chamado “um ano em Paris” e Amsterdã nos acolhia iluminada, como que agradecendo pela escolha. Tudo bem que meia hora depois e ao longo dos próximos três dias o sol tenha sido abafado sem dó por nuvens cinzentas carregadas de água… Minha primeira lembrança é iluminada e calorosa.

Portanto, se Amsterdã é seu destino, saiba que não é brincadeira nem lenda urbana a informação de que chove todo dia por lá (dizem que a trégua só acontece três dias por ano). Mas assim como você é capaz de suportar aquele sol de rachar cuca nas praias brasileiras, vai conseguir se adaptar rapidinho a essa chuvinha. O segredo é eleger boas botas e um gorro ou chapéu como companheiros fiéis. Pode até esquecer o guarda-chuva. Algumas filas ao ar livre e eu já nem sentia mais nada (inclusive meus dedos dos pés). Voltei escolada pra Paris, grande concorrente no quesito garoa chata.

Para o primeiro dia, aconselho o embasbacamento. Caminhe pela cidade sem rumo, embasbacado com a quantidade de bicicletas estacionadas, abandonadas e sendo usadas, com as palavras de quinze letras nas placas em holandês, com as pessoas fumando maconha livremente nos coffee shops de cada esquina, com a beleza indiscutível dos canais vistos sobre mais de 400 pontes. Faça mil planos, prometa morar um tempo em alguma casa-barco e se embasbaque mais um pouco com a liberdade, o pragmatismo, o charme e a marofa impregnados em cada cantinho dessa cidade.

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Impossível não ficar com vontade de morar um tempo numa casa-barco

Depois, você já deve estar pensando, alugue uma bicicleta! Sim, é realmente uma ótima opção, a não ser no meu caso. Tenho um drama na vida: não consigo parar nem cinco minutos em cima de uma (não que eu tenha tentado muitas vezes). Mas essa é uma das minhas resoluções para 2013, então podem voltar seus queixos ao lugar.

Quanto à Amsterdã, pedalar é o estilo de vida mais marcante da cidade. Bonito de ver, bom de sentir. Hoje, existem mais bikes do que gente por lá, em circulação ou juntando poeira em algum canto. Elas são cerca de 700 mil (!). A cidade é plana e pequena, então dá pra conhecê-la todinha andando ou pedalando. Se for alugar, não recomendo mais do que um dia. Você paga uns doze euros pela jornada e dá pra se divertir bastante. Nos outros, caminhe no seu ritmo e economize.

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A foto clássica

Muita gente também quer voltar com uma bike no bagageiro. Pelas bicicletarias que passamos, havia das mais velhas às mais modernosas. Mas os preços não são lá muito convidativos. Alguns também optam por roubar, mas aí depende dos seus princípios… Um dos recepcionistas do nosso simpático hostel recomendou: quando estiverem passando por uns canais movimentados e cheios de bicicletas (coisa tão rara, afinal), comecem a gritar “bike! bike!” e alguém do mercado negro vai oferecer as roubadas, que custam uns dez euros. Olha, juro que até tentamos só pela diversão, mas nenhum mafioso nos abordou com propostas.

Ah, e eu sei que não sou a melhor pessoa pra dar conselhos sobre esse assunto, mas não saia se achando o ciclista do ano. Assim como não atravesse as ruas sem olhar muito bem para os dois lados, reparando até mais nas bikes do que nos carros. Você corre sérios riscos de ser atropelado por loucos em alta velocidade ou por algum turista mané que não pedala desde os dez anos de idade.

Aluguel de bike: em todos os hotéis ou pontos turísticos você vai encontrar cartões e folders de empresas de bike. Se apresentar alguns deles, você, inclusive, ganha alguns descontos. Se quiser dar uma olhada já, uma das opções é www.yellowbike.nl. Quase todas essas empresas de aluguel também fazem tours. Eu, sinceramente e mesmo sem saber andar, bolaria meu próprio roteiro, mas aí é com você.

My house hostel: foi onde fiquei. Simples, bem localizado e de boa relação custo-benefício. Atendimento mais do que simpático. O café da manhã é incluso, com omelete quentinha feita na hora pelos funcionários. Site: www.amsterdambudgethotel.com

5 thoughts on “Amsterdã: embasbaque-se!

  1. É lindo ver como você escreve de um jeito simples e, ao mesmo tempo, cheio de detalhes! Imaginei você por lá! Beijos da Má

  2. Ameeei o texto!
    Eu me senti igualzinha em Amterdam…embasbacada! Acho que foi a cidade mais linda que visitei! (sim…mais do que Veneza! os italianos que não ouçam…)
    Parabéns pelo blog, querida!! Vou acompanhar🙂

  3. Muito bom Ana. Detalhes que eu imaginava encontrar num lugar como este, mas agora com riqueza de detalhes.Beijos.

  4. Adorei o texto loirinha!!!!me deu uma vontade urgente de conhecer a cidade!!!pena que não pude ir quando estava na Europa, mas com certeza na próxima ida, este será um destino obrigatório!!adorei!!!

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