O Museu dos Corações Partidos

Ele deu a ela uma cafeteira logo no começo do namoro. O relacionamento evoluiu, eles juntaram, casaram e fizeram muitos cafezinhos juntos. Até o momento em que ele deixou de gostar do café que ela fazia. Hoje, o antigo presente está em “O Museu dos Corações Partidos”, um museu itinerante que passou o mês de fevereiro em Paris (e chega ao Brasil no segundo semestre).

Criada em 2006, na Croácia, a exposição já passou por mais de 20 cidades do mundo. De cada uma delas levou um pedaço do coração de alguém.

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Funciona assim: eles definem o próximo destino e abrem alguns dias para as doações. Quem se interessar, conta seu caso e entrega um objeto que faz recordar um antigo amor. Têm roupas, chaveiros, ursos de pelúcia, álbuns de fotografia… Aquelas coisas que você reluta em jogar fora depois do término e deixa juntando poeira num canto, com promessas de um dia se livrar de vez, como fez com o resto.

Pode soar meio mórbido, mas não é. São histórias de vida de pessoas comuns, como nós, e a identificação com algumas é certeira. Todo mundo já teve um casinho marcante, mas que não deu em nada. A tal paixão de praia que quase nunca sobe a serra. E, claro, um amor arrebatador que deixou lembranças, boas ou ruins.

Muitas histórias são bem banais, como aquela que você também viveu uns anos atrás. Outras são intensas, engraçadas, trágicas, malucas… Elas nos fazem sentir o mundo ainda menor. Você é brasileira, mas tem os mesmos medos que a argelina do cartão-postal amarelado, assim como já perdeu seu tempo com o mesmo tipo de idiota que a croata do ursinho “I Love You”.

Tem também uns casos únicos, como o de uma mulher que doou um vibrador, presente do ex-marido quando eles ainda eram noivos. Ela queria casar virgem e ele fez uma brincadeira para que ela suportasse esse tempo sem problemas. Só que depois do casamento eles nunca se entenderam sexualmente e acabaram se divorciando. Ela mandou o brinquedinho embora e foi procurar satisfação de verdade.

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Acredito que para os doadores é uma forma de desabafar de vez. Ou então de continuar desabafando. É como contar mais uma vez sua história para cada visitante, sem perigo de encher o saco daquela amiga que já a ouviu cem vezes seguidas.

Antes que a exposição chegue ao Brasil, aproveitem para fazer aquela faxina libertadora no porão! Mais infos aqui.

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