Minha primeira experiência com o couchsurfing: Tours

No fim de março tive o prazer de viver minha primeira experiência com o couchsurfing, o projeto online no qual pessoas hospedam gratuitamente viajantes em seus sofás, colchões ou qualquer cantinho que tiverem sobrando em casa. É uma das ideias mais geniais da internet, que estimula a interação com gente do mundo inteiro e ainda garante experiências inusitadas.

Já tinha lido sobre o assunto, que não é nenhuma novidade – o projeto surgiu em 2006. Mas confesso que não imaginava como a prática seria tão fiel à proposta.

A interação acontece já por e-mail, quando você seleciona no site os perfis com que mais se identifica e pede para “surfar” no sofá deles. Solicitação aceita, é só chegar e combinar um ponto de encontro. No meu caso, fui com um casal de amigos, Brena e Adrien, para Tours, uma cidadezinha francesa linda, que faz parte do Vale do Loire.

Vista de Tours, margeada pelo rio Loire
Foto: Wikipedia

Quando chegamos na estação de trem, nossos anfitriões já estavam nos esperando. Com largos sorrisos no rosto, Nicolas, Martin e Jérémie começaram a discutir quem teria o prazer de nos hospedar (uma coisa ainda estranha para nós).

Confesso que, até então, como “surfistas” de primeira viagem, nossa motivação principal era garantir hospedagem de graça. Mas essa não é a ideia central do projeto – e acabou deixando de ser a nossa também. O objetivo é trocar experiências, conhecer os lugares sob a perspectiva de locais, discutir ideias e o mundo. Nossos três novos amigos fizeram de tudo para nos deixar confortáveis. Eles reservaram aquele fim de semana para nós, nos incluindo nos compromissos que já tinham.

Fomos em um bar na sexta e no sábado à noite rolou uma festa no apartamento de Martin. E nós três estávamos sempre como convidados especiais. Eles nos apresentavam aos amigos e mostravam queijos e vinhos (muitos vinhos) da região (é uma pena que não tiramos nenhuma foto do fim de semana…).

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Um detalhe importante é deixar claros os motivos da sua viagem, a fim de evitar programações que não poderão ser cumpridas. O nosso era um torneio de futebol das écoles de comunicação da França (tipo um Juca versão light), do qual a minha, o Celsa, ia participal. Por isso, só tínhamos as noites e o domingo à tarde livres para aproveitar com eles. Você também pode dizer sem problemas quando quiser sair sozinho ou simplesmente ficar em casa, descansando um pouco.

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No caso, nossos anfitriões já são couchsurfers há anos. Estão acostumados a receber hóspedes em casa, pelo menos um por semana. Na sexta, avisaram que talvez eu teria que dividir a sala com uma menina da Geórgia que também estaria na cidade (eu acabei ficando na casa de Nicolas e meus amigos na de Martin, que eram uma ao lado da outra). Couchsurfing também é isso: conhecer pessoas de países que você nem sabe onde ficam no mapa.

Então, se quiser entrar nessa, veja bem se o seu perfil se encaixa no projeto. Não adianta ser cheio de manias e pensar que vai ficar em um hotel de graça. Os donos da casa não vão necessariamente deixar tudo limpo e brilhando para receber sua ilustre presença. O ideal é que eles mantenham a rotina deles e mesmo assim você se sinta à vontade. Você vai dormir onde der, talvez dividir a cama e o sofá com desconhecidos, além de fazer social o tempo todo.

Para os couchsurfers é um prazer estar livre para apresentar a cidade aos seus hóspedes – e vice-versa. Tanto que alguns pedidos são recusados exatamente por isso, quando a pessoa está muito ocupada e sem tempo para sair. Nicolas, por exemplo, acordou cedo no sábado para nos acompanhar a um dos jogos. Estava chovendo e eu tenho certeza que ele tinha coisa melhor para fazer do que sujar o pé de lama num campeonato universitário, mas quis ir para nos conhecer melhor.

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Outro lance é a confiança que eles têm nos surfers. Preciso viver outra experiência para comparar as relações, mas Nicolas deixava as chaves da casa com a gente. Só avisava onde estavam as coisas do café da manhã e que podíamos pegar tudo o que queríamos.

Mas como existe muita gente ruim neste mundo, é bom ficar atento, principalmente se você for mulher e estiver sozinha. Confira bem o perfil da pessoa no site e leia todos os comentários sobre ela. Alguns couchsurfers são até estrelas, de tão gente finas, sendo praticamente impossível conseguir uma vaga na casa deles. Mas, quando estava procurando para uma viagem a Londres, também encontrei vários perfis de homens com fotos meio bizarras, sem camisa e com biquinhos sensuais. Sei lá você, mas eu não arriscaria. Nessas horas é bom ter um feeling antes de apertar o botão da solicitação.

E você, tem uma experiência de couchsurfing pra contar? Se tiver, conta nos comentários! Vou adorar saber.

Para curtir Tours:

– Le Bar à Mines: cerveja barata e música ao vivo. Ele fica próximo à Place Plumereau, onde ficam inúmeros bares e restaurantes.

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Place Plumereau à noite, cheia de barzinhos e muito charmosa.
Foto: Wikipedia

– Kebab com pão de naan (de origem indiana), famoso em Tours. A diferença do tradicional é que o pãozinho é recheado com queijo. O resto é igual aos outros: o famoso churrasquinho grego, que no Brasil não comemos nem de graça e aqui na Europa faz a alegria dos mochileiros.

pain naan

Não tirei fotos no fim de semana, nem do kebab de naan, mas este é um exemplo do formato do pão. Foto: Wikipedia

– Passeio pelas passarelas margeadas pelo rio Loire. Com boa infra-estrutura, uma linda vista e a brisa sempre bem-vinda em dias de calor.

la loire wikipedia

Foto: Wikipedia

– As maisons troglodytes, casas encravadas nas montanhas de rocha, que podem ser vistas nas estradas que ligam Tours a outras cidades do Vale do Loire. Eu não fui, mas sei que algumas estão abertas à visitação. São casas muito antigas, que datam da Idade Média, mas muitas foram reformadas e ainda são habitadas. Encontrei até uma para alugar no Airbnb, dá uma olhada aqui.

– Também vale a pena visitar o château (castelo) de Tours e a catedral Saint-Gatien, além de se perder por todas as ruelinhas estreitas, lindas e cheias de história, como na maioria das cidades francesas. Também acontecem muitos festivais culturais ao longo do ano.

398px-Tours_Cathedral_Saint-Gatian

Catedral Saint-Gatien.
Foto: Wikipedia

2 thoughts on “Minha primeira experiência com o couchsurfing: Tours

  1. Oi
    Adorei o post. O espirito é esse mesmo.
    Eu hospedo com frequência mas só surfei duas vezes que foram experiencias maravilhosas. Não surfo mais pois, apesar dos meus hosts term me cedido suas camas, sou chata com conforto. Prefiro ficar em um hostel e ter uma cama garantida do que ter a probabilidade de ter q dormir no chão.
    Apesar disso eu já fiquei em hotel e contatei pessoas para “tomar café” ou seja passear comigo. Fiz ótimo amigos e certamente com eles conheci lugares que nenhum guia contava!

    Bjs
    Dani

    • Oi, Dani! Vou fazer um mochilão no mês que vem e tentar fazer couchsurfing, mas às vezes tbm prefiro ficar em hostais baratos por conta da liberdade e do conforto. Ainda mais aqui na Europa, que da pra encontrar alguns com otimo custo-beneficio. Valeu pelo comentario🙂

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